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O ato criativo no envelhecer: a dor e suas possibilidades

Foto do escritor: Antonio C. de Barros Jr.
Antonio C. de Barros Jr.
4 de mar. de 2020
3 min de leitura

Atualizado: 6 de abr.


Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

A velhice tem me tocado – seja porque eu mesmo estou envelhecendo, seja porque tenho recebido idosos no consultório, seja ainda porque vejo entes muito queridos que estão nessa fase de vida.


Dificilmente será a melhor idade para alguém (como propagandas de algumas empresas querem nos fazer acreditar), mas pode ser boa, a depender de como o idoso consiga lidar com o que o tempo vai trazendo de perdas e de como pode abrir-se para algumas novas possibilidades.


Os idosos que recebo no consultório ou com os quais convivo trazem o peso de lutos que vão enfrentando nesse momento de suas existências. Perdem amigos, entes queridos; perdem alguma mobilidade e a possibilidade de andar sem dores, às vezes. Alguns perdem a capacidade de conter urina e fezes e precisam se valer de fraldas descartáveis. Outros começam a perder a memória recente, a atenção. Alguns começam a perder a audição, a visão. Perdem o viço e a firmeza da pele jovem. Muitos perdem a possibilidade de comer gordura, sal ou açúcar quando querem ou na quantidade que têm vontade, sob pena de agravar bastante sua saúde.


Mas pior que tudo isso (ou, muitas vezes, por conta de tudo isso e de outros aspectos) é quando começam a perder o seu próprio valor como sujeitos. Quando se sentem inúteis porque já não trabalham mais ou porque empresas já não lhes oferecem empregos; quando os filhos já construíram suas próprias vidas e não dependem mais deles; quando olham para trás e sentem que não viveram o que gostariam de ter vivido, que se inibiram por alguma questão, que se reprimiram por outra, que buscaram tanto o reconhecimento do Outro que, ou ele nunca veio, ou, quando veio, perceberam que a satisfação daí advinda logo se foi. Quando se dão conta de que, com o que foram perdendo ao longo dos anos, foram perdendo uma parte de si. Quando se deparam com o fim que vai se aproximando, e, com ele, o término das possibilidades de fazer algo relevante na vida. Com todo esse quadro, não é incomum que angústia surja com bastante intensidade ou que sintomas depressivos se instalem.


Bom, mas se o quadro não parece muito animador, se vivemos numa cultura que cultua o jovem, o idoso pode ser acolhido no seu processo subjetivo. Pode ser ajudado na ressignificação de certas passagens de sua vida ou até dela como um todo. Mas, mais do que isso, pode ser auxiliado no vislumbre de novas possibilidades para o tempo que lhe resta – projetos nunca desengavetados, experimentações jamais feitas, criações nunca ousadas, ou, simplesmente, a chance de fazer algo, seja lá o que for, a partir da dor das perdas que teve, dor que é inevitável.

A psicanalista Melanie Klein observava a possibilidade do ato criativo, a partir do que denominou posição depressiva em crianças. O também psicanalista Donald Winnicott, por sua vez, falava do impulso criativo que qualquer pessoa, de qualquer idade, pode ter: “quando (...) se inclina de maneira saudável para algo ou realiza deliberadamente alguma coisa, desde uma sujeira com fezes ou o prolongar do ato de chorar como fruição de um som musical” (Winnicott, 1975, p. 100).


Assim, não dizem que os idosos voltam a ser crianças? Pois é, mesmo que eles não o sejam (e não são!), podem explorar, como elas, o seu mundo e as suas possibilidades, naquilo que são capazes. Podem fazer da sua dor a sua poesia de viver, desde que exista um ambiente “suficientemente bom”, quer seja um membro da família, um amigo, um psicanalista, um terapeuta que lhes ofereçam o olhar terno e a chance de falar de si que costumamos oferecer às crianças muito jovens...


Antônio C. de Barros Jr.

Psicólogo clínico/ psicanalista/ psicoterapeuta

Doutor e mestre em Psicologia pela USP.

Autor do livro: Quem vê perfil não vê coração: fragilidades narcísicas e a construção de imagens de si nas redes sociais. Editora Escuta.

Ex-membro da Associação Campinense de Psicanálise (2004 a 2010).


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REFERÊNCIAS:

KLEIN, Melanie. Situações de ansiedade infantil refletidas em uma obra de arte e no impulso criativo (1929). In: Amor, culpa e reparação e outros trabalhos (1921-1945). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

KLEIN, Melanie. Nosso mundo adulto e suas raízes na infância (1959). In: Inveja e gratidão. Rio de Janeiro: Imago, 1991.

WINNICOTT, D.W. A criatividade e suas origens. In: O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

43 comentários


nginhm.an.gm.an.g
há 4 dias

https://thoitiethomnay.org/hung-yen/3-ngay-toi/ mình vào coi nhanh vì đang tính lịch đi lại ở Hưng Yên mấy hôm tới. Không kiểu ngồi đọc hết từng mục đâu, chủ yếu lướt xem họ sắp xếp thông tin có dễ nắm không. Thấy trang này trình bày khá “thẳng”, nhìn cái tiêu đề dự báo 3 ngày tới là biết ngay phần cần xem, khỏi phải kéo tìm lung tung. Mình để ý nhất là họ ghi nhiệt độ ngày/đêm với xác suất mưa theo từng ngày, liếc cái là hình dung được thời tiết ra sao. Với lại có dòng giờ cập nhật rõ ràng (kiểu 18:39:16 — 18/10/2026) nên đỡ lo số liệu cũ, và bảng chi tiết nằm ngay dưới phần…

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maisidel.gado1.9.4
10 de out.

https://daga179.vip/ hôm trước mình thấy bạn bè nhắc nên bấm vào xem thử cho biết. Mình không chơi nhiều, chủ yếu tò mò giao diện có dễ dùng không thôi. Vào cái là thấy khu đá gà trực tiếp đặt khá nổi, nhìn phát nhận ra ngay chứ không phải kéo tìm. Mình mở thử một trận thì video chạy ổn, hình ảnh rõ kiểu Full HD nên xem cũng đỡ nhức mắt. Cách họ chia khối nội dung nhìn gọn, chữ không bị dày đặc, bấm qua lại cũng mượt. Nói chung cảm giác trang làm khá “sạch”, tập trung vào phần phát sóng nên nhìn không rối. Ấn tượng nhất vẫn là khung phát đá gà trực tiếp…

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louisgarc.ia.7.0.162
10 de out.

Hiperbet Brasil eu abri sem muita expectativa, achando que ia ser só mais uma página cheia de enrolação, mas me surpreendi. Dá pra ver rápido que a proposta é mais de portal informativo mesmo, e eles deixam bem claro que é um guia independente e não o site oficial da operadora, o que já passa uma sensação de transparência. Outra coisa que curti é que não fica escondendo o básico: tem menção à licença federal ativa logo de cara, sem você ter que caçar no meio do texto. No geral, a leitura flui porque o conteúdo vem em blocos curtinhos e com uns quadros de resumo que ajudam a bater o olho e entender o contexto sem esforço. O que…

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nginhm.an.gm.an.g
08 de out.

https://789winn.games/ ừ đúng kiểu bạn nói đó, tối qua mình rảnh rỗi lướt qua vài phút thôi chứ không ngồi đọc từng thứ, chủ yếu xem họ bố trí trang có dễ nhìn không. Mình để ý phần đầu trang chia mảng khá rõ, kéo xuống là biết mình đang ở đoạn nào, nên mắt đỡ phải đảo liên tục. Có mấy khung thông tin trình bày theo cột nhìn gọn gàng, chữ cách nhau ổn nên liếc nhanh vẫn bắt được số liệu, chứ không bị dính sát làm mỏi mắt. Menu thì đặt chỗ dễ thấy, đổi mục qua lại cũng trơn tru, không phải mò. Nói chung mình vẫn giữ tâm lý “xem cho biết” thôi, nhưng…

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louisgarc.ia.7.0.162
13 de set.

Nói về mấy bài kiểu kể hành trình phát triển theo mốc thời gian thì mình đọc lướt khá nhanh, go99 mình vừa ghé thử đúng theo kiểu đó nên cũng dễ nắm ý; phần tiêu đề đặt rõ ràng như “trang chủ” với “đăng ký đăng nhập” nên nhìn phát biết chỗ nào để bấm, không phải mò nhiều. Mình thấy họ chia nội dung thành từng đoạn ngắn theo giai đoạn, có nhắc khởi đầu khoảng 2019 rồi đến tầm 2020–2022 mở rộng dần, đọc qua vẫn hiểu đang nói tới bước nào; giao diện cũng kiểu ưu tiên cho điện thoại nên cuộn không mệt, chữ và khoảng cách nhìn ổn, chuyển mục cũng không bị rối.…

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© 2025 Antônio Carlos de Barros Jr. psicanalista/ psicólogo clínico/ psicoterapeuta

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